domingo, 26 de abril de 2015

Desculpa, eu sou de sagitário.



Me perdoa se faltou prudência nas minhas palavras.
Se meti os pés pelas mãos e agi sem pensar, mais uma vez.

Me desculpa se esqueci, a torneira aberta, as chaves de casa,
de dizer que te amo todos os dias.

E quando eu peguei seu coração junto com todo o seu amor nas minhas mãos,
eu realmente não planejava deixá-lo cair e se quebrar, eu não costumo planejar bem qualquer coisa, se você ainda me quiser por perto posso ajudar a juntar os cacos.

Eu vivo dizendo pra não ficar no pé,
mas se essa for a sua forma de amar pode grudar em mim.

Eu sempre me imaginei viajando livremente e desbravando o desconhecido,
mas foi você a única razão que me fez querer ficar, ficar largado no chão da sala ouvindo Skank, comendo besteira, falando bobagem e amando suave.

Talvez eu nunca me recupere de ver você andar pelo corredor até a porta e ir embora, me deixar, junto com minha bagunça, minha ansiedade e minha falta de aptidão para ser quem você sempre sonhou ter perto.

Mas não posso negar que seguirei,
sempre tropeçando nas minhas próprias pernas,
esbarrando nos meus erros, seguindo meu imprudente coração.

Arqueiro que aponta sua flecha para o infinito,
centauro que cavalga pelos caminhos incertos,
que formam a estrada da vida.

Antonio.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Um comum de dois.

Era uma homem de meia idade, sem feitos grandiosos na vida, pode ser que você queira considerar, fumar três maços de cigarros por dia, entornar meia garrafa de uísque toda manhã e ter uma coleção infinita de multas de trânsito como feitos grandiosos, mas a sociedade não vê assim.

Sociedade essa que o colocou a margem, pelo simples fato de ser quem é/era, foi a sociedade quem fez dele um bebum, fumante, motorista imprudente... Na verdade, ele nem dirigia de fato, só encostava o carro em algum lugar para beber e dormir. Aliás dormir era a coisa que ele mais fazia, dormir depois de algumas gotinhas de Rivotril sintetizava todo o seu vazio existencial.

Ia ao terapeuta uma vez a cada quinze dias, quem observava de fora achava que esses encontros deveriam ser mais frequentes, tinham razão. Esse cara de meia idade estava definhando, observava-se de longe, ele perder peso, sono e apetite; Se transformou num corpo vazio segurando um copo cheio.

Dali à poucos meses, faleceu, não de cirrose como todos podiam imaginar, nem de pulmão, nem de batida de carro... Um nó muito bem apertado terminava um laço numa corda que envolvia o seu pescoço; Um banquinho verde-água chutado e um corpo raquítico suspenso no ar. Os pés calçados de um salto alto vermelho verniz, rosto maquiado, cabelos com aplique, espartilho na cintura, por cima de um lindo vestido branco... Uma única música muito alta tocava repetidas vezes, dizia : "...Prazer e dor de ser mulher, por essa noite é o que ele quer".

A vizinhança não compreendia, na verdade, compreensão foi o que aquele ser nunca havia encontrado, nem no mundo, nem em si mesmo. Seu corpo não comportava quem ele realmente era, quando abriram seu armário, encontraram, lindos vestidos como aquele branco, lindos sapatos de salto como aquele vermelho, apliques de todas as cores e tamanhos, maquiagens como aquela no seu rosto sem vida. 

No mesmo armário haviam ternos e sapatos sociais, usados por ele quando tinha um carreira como executivo, no fundo do armário achou-se um pequena fotografia de uma bela moça, tinha por volta 20 anos de idade e parecia feliz na foto, atrás escrito em caneta preta e grafia caprichada "Eu existo"

E  havia existido, enclausurado dentro de si, e talvez sua morte fizesse alguma diferença, significasse algo. Quantas outras estavam levando uma vida de merda, com medo, reprimindo-se; Quantos tiveram o mesmo fim que ela...

No dia do seu velório a vizinhança decidiu que iriam enterrá-la com as roupas que ela havia escolhido para morrer, o mesmo sapato de salto vermelho verniz, o mesmo aplique no cabelo, o mesmo vestido branco com espartilho, a mesma maquiagem no rosto, pareceu respeitoso. Diferente da a atitude de seus pais e irmãos, que disseram só ir la se fosse para cuspir no túmulo, sua ex-esposa levou consigo seus dois filhos para se despedir do pai. E deitada dentro daquela caixa de madeira, vestida daquele jeito, ela parecia muito mais feliz e confortável do que estivera a vida inteira.

Antonio.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

#5CoisasQueMeFazemQuererFicarEmCasa

Ultimamente tenho tentado participar de muita coisa, ir à shows, peças, sair com os amigos. Por outro lado também pensei nas coisas que fazem querer ficar em casa, resolvi então criar uma Tag #5CoisasQueMeFazemQuererFicarEmCasa, então vamos a ela !



1.Chuva

Essa é meio óbvia, chuva muitas vezes estraga planos, mas não os meus. Primeiro porque eu adoro tomar banhos de chuva, tendo chuva sempre que eu posso saio pra uma caminhada. Segundo porque eu moro em Salvador, que faz muito calor, em todas as estações do ano, portanto um dia frio e chuvoso merece ser aproveitado, com um programinha bem caseiro; Um cobertor bem grosso, um xícara de café bem quente, e meus filmes favoritos na Tv.


2.Trânsito

Veja bem, eu moro numa parte da cidade que fica um pouco distante da boêmia, então sair quase sempre exige uma dose grande de coragem para encarar o trânsito de Salvador... Entre ficar horas dentro de um ônibus(muitas vezes em pé) e ficar no conforto da minha casa, eu sinceramente prefiro ficar em casa.



3.Quando minha mãe faz bolo e eu tenho que esperar esfriar.

Caraca, minha mãe faz um bolo daqueles, simplão, despretensioso e que me prende em casa, porque ela não me deixa comer quente, segundo ela dá dor de barriga comer bolo quente, quem sou eu pra questionar... Então aí se eu tiver pra sair, já estiver arrumado e tudo e rolar um bolo de mainha como bom gordo que sou, eu cancelo tudo por umas fatias de bolo.



4.Quando o livro me pega de jeito.

Isso já me aconteceu incontáveis vezes. Quando eu tava lendo Jogos Vorazes, eu só faltava ler no banho, a mesma coisa com Beijada Por Um Anjo, ou então qualquer um romance da Danielle Steel, os contos de K. Mansfield. Se o livro me prende eu facilmente dispenso uma saída pra ficar em casa lendo (preciso nem dizer que meus amigos "adoram" né?!)



5.Quando tem prazo pra cumprir.

Não tem nada que me desestimule mais a sair do que ter algum trabalho pra entregar no dia seguinte. Eu não vou me divertir por completo se eu sair com o peso de "Tenho que terminar aquela parada pra entregar amanhã", não desce, fico totalmente travado, então prefiro ficar em casa adiantando pra ficar livre o quanto antes e sair sem esse peso.

Bom, são essas as minhas razões para abdicar de uma saída, mas agora eu quero saber dos amiguinhos blogueiros! Indico para responder essa Tag:

A Carol do Facetas Da Carol;

A Iasmim do Devaneios e Desvarios;

O Lucas do Disco Local Cê.

Antônio.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Mães.

Escrevo isso, às 05:08 a.m, mas acordei lá pelas três, não tive sono, me levantei e resolvi ligar o computador pra esperar a hora de ir para escola:

Como eu não sou das pessoas mais silenciosas, eu devo ter feito algum barulho e acabei acordando minha mãe. Minha velha veio ao meu encontro e me disse para ir dormir, expliquei que se dormisse agora não acordaria a tempo de ir pro colégio.

Ela parou um tempo, foi até à cozinha, tomou um copo d'água, limpou a garganta e começou a falar, daquele jeito que as mães gostam de fazer. Me perguntou se eu não percebia que isso estava me fazendo mal, essa coisa de tecnologia; disse que vira em um jornal, que a tecnologia tirava o sono das pessoas e as colocava num estado de vício, disse ainda mais, que não era saudável, e que eu iria render pouco na escola e no estágio.

Eu por fim expliquei, que hoje foi um caso isolado, que não era comum que eu acordasse  essa hora, que não havia sido a "tecnologia" meu despertador, levantei por falta de sono. Ela rebateu tudo com " me escute que eu estou falando pro seu bem". Nesse momento eu parei para refletir e percebi que não adiantava argumentar, ela estava fazendo uso de uma ferramenta muito antiga, a sabedoria de mãe.

Digo, quantas vezes você estava a ponto de fazer algo e sua mãe te advertiu e você desistiu de fazer. "Não anda longe de mim na rua, (apontava um maltrapilho aleatório na rua) senão o homem do saco te leva" ou então " Não come manga com leite, você vai passar mal" e agora " Esse meninx só fica nesse computador, vai ficar doente desse jeito".

Eu reclamo dela, quase todos os dias digo o quanto ela consegue ser chata com coisas tão pequenas, mas aí em momentos como esse eu percebo o quão genuína é essa interação; é uma coisa de mãe e filhx, em pouco tempo eu pretendo ir morar sozinho, e só eu sei o quanto eu vou sentir falta de alguém pra se negar a receber ajuda em alguma tarefa doméstica e depois passar o dia inteiro reclamando que ninguém ajuda ela...

Mas ela pode fazer isso, ela é mãe, tem o direito de fazer esses jogos, essa chantagem emocional. Você pode ter mil diplomas, mil PhD's, ganhar milhões; mas nunca deve refutar a sabedoria de uma mãe mesmo que analfabeta.

Então eu terminei de escrever esse post, publiquei-o e me deitei mesmo que seja por dez minutos, afinal minha mãe sempre está certa, e ela viu no jornal.

Antonio.