domingo, 6 de março de 2016

Quebra-mar


Quebra-mar, quebra o mar.

Quebra tudo que se põe insistente.

Quebra até o inocente.

Quebra na beira, quebra no meio
Na frequência do mar sem freio.

Traz ressaca, traz alegria, 
traz na sua composição um novo dia.

Fragmenta de novo cada parte, 
transforma o que é nu em arte.

O mar canta seu canto, 
que faz a ruptura mas reconstrói.
O mar sabe esculpir do seu jeito, nos seus moldes.

Por isso não questiono onde a onda quebra
 e o que ela quebra dentro de mim.

Já não me importo com o ambiente, 
o mar simula o vácuo, o vácuo simula o vazio, 
esse está mais dentro do que fora.

E flutuando onde o mar quebra,
não me exijo preenchimentos, posso ser vazio.

Posso ignorar o que em mim anseia por se encaixar 
e sendo onde for que essa vida me levar, 
posso me sentir em casa novamente se eu deixar o mar quebrar.

Antonio.