Quebra-mar, quebra o mar.
Quebra tudo que se põe insistente.
Quebra até o inocente.
Quebra na beira, quebra no meio
Na frequência do mar sem freio.
Traz ressaca, traz alegria,
traz na sua composição um novo dia.
Fragmenta de novo cada parte,
transforma o que é nu em arte.
O mar canta seu canto,
que faz a ruptura mas reconstrói.
O mar sabe esculpir do seu jeito, nos seus moldes.
Por isso não questiono onde a onda quebra
e o que ela quebra dentro de mim.
Já não me importo com o ambiente,
o mar simula o vácuo, o vácuo simula o vazio,
esse está mais dentro do que fora.
E flutuando onde o mar quebra,
não me exijo preenchimentos, posso ser vazio.
Posso ignorar o que em mim anseia por se encaixar
e sendo onde for que essa vida me levar,
posso me sentir em casa novamente se eu deixar o mar quebrar.
Antonio.

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