quarta-feira, 6 de abril de 2016

Menina do Outono



Ela diz que enfim chegou a sua estação, 

diz isso com ar de quem muda ou mudará.

Ela canta, brinca e se entrega e ao passar do fim de semana, 
me conta que se arrependeu.

Ela sabe quantos corações arrebata todo dia mas 
ainda insiste em desacreditar do magnetismo que tem o seu olhar.

Ela reclama, ela chora, ela ri, faz birra, ela sente. 
Ainda que tão impaciente, espera pelo que há de vir.

Quando não contente se queixa e ainda me culpa, tira onda de maluca, mas lá no fundo ela sabe, 
que o mundo não é esse buraco imundo do qual ela tem pavor.

Ela sabe que existem coisas do lado de fora que valem a pena abraçar, 
mas o receio de tentar a impede de desfrutar de todos os prazeres e dores.

Presa aos números, tenta me convencer que o tempo 
tá passando mais depressa e por mais pressa que ela tenha de viver, não consegue sozinha.

Eu digo todo dia "Se desamarra menina, se desprende!
 O coração que te oriente, tu vai aprender a guiar"

Mas toda vez que solto as suas mãos ela tropeça, e quem sou eu pra 
ignorar quando ela estende a mão pra eu ajudá-la a levantar?


Antonio.

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