sábado, 27 de fevereiro de 2016

O quão cênico é o ato de regurgitar


*Talvez não tenha relação nenhuma, mas depois de escrever isso eu só consegui pensar nessa música, então se você achar conveniente pode dar play enquanto lê.



{..} Eu ando de uma lado para o outro, um incenso aceso na mão. Não tem uma rota específica, talvez a única rota seja a dos meus pensamentos, um sobrepondo o outro numa frequência absurda e estonteante. Meus pés imitam o pensar embaraçado e eu estou mais uma vez dançando aquela valsa bêbada.


Eu começo a sussurrar algumas palavras, eu sopro o incenso pra ver se ele queima mais rápido, eu entro na fina nuvem de fumaça perfumada, tem essência de mirra, seja lá o que isso for. A ansiedade é tanta que eu esqueci de pedir por proteção e essas coisas, não entoei nenhum mantra, nenhuma reza.

Estou tentando me manter calmo, estou calculando meus passos, estou usando os azulejos como régua pra medir o que tem de torto dentro de mim, falta pouco, alguém me diz, mas meus pés já estão cansados, meus olhos já estão cansados e tudo gira. Meu nariz está irritado, esse aroma é irritante, estou a ponto de regurgitar tudo.

Uma barragem se rompe dentro de mim, meus joelhos e as palmas das minhas mãos tocam o chão, meus pé finalmente descansarão? Tudo que estava represado sai, sai com força e pressão, ficam apenas os questionamentos de sempre, aqueles com os quais todos se preocupam mas ninguém acha realmente importante responder.

Me ponho de pé novamente, ainda cambaleante, sinto o novo vazio, aquele que eu irei me ocupar de preencher com todas as coisas que me entopem pra daqui à algumas semanas, ou meses quem sabe, passar pelo ritual do vômito novamente, espero que dessa vez eu já tenha terminado a playlist.


Antonio.

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