Não sei se fico ou deixo.
Não sei se admiro ou desejo.
Não sei se canto ou calo.
Agir ou frear?
Sinto que meus pés me guiaram até você.
E apesar de não saber direito me lancei em seus braços e achei abrigo.
Seguro me sinto nesse caminhar selvagem e sem destino.
No nosso caso o crime compensa, compensa o arrepender.
Presenteia o infortúnio, a falta de sorte de nos encontrarmos nessa vida.
Presos nessa carne igual.
Nossos corpos sem armadura, vulneráveis, frágeis, desprotegidos.
Nossos espectros em atrito se tornam um, um milhão.
Cansados da estrada, apoiados um no ombro do outro.
Sem saber se é hora de parar, desacelerar ou desistir.
Talvez por inocência, nós apenas andamos para frente.
E essa porventura a bifurcação da nossa estrada.
Que desatrelem-se os dedos, mas que se façam mais fortes os laços do coração.
E eu continuo sem saber.
Mas uma certeza nós compartilhamos, sempre estaremos unidos pelo nosso crime.
Um dentro do outro. Um refletindo o outro.
Queimando, um de frente pro outro.
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