Abracei a sarjeta, me sujei.
Fingi que toda a minha necessidade de atenção era líquida, me embriaguei.
Tirei o desamor para dançar ao som do caos,
Os pensamentos tão embaraçados quanto as pernas, eu caminhei.
Caminhei até achar uma versão mais sóbria de mim mesmo,
Sóbria o suficiente para se reconhecer louco.
Transformei meu espaço, a minha visão.
Fiz pouco caso do perigo, mergulhei de cabeça,
Não me permiti arrependimentos e hoje me arrependo.
Arrependi-me de ter me sujeitado a situação e o ambiente.
Doente por dentro,
Inconformado por deixar escapar das minhas mãos toda aquela alegria.
Alegria líquida, como minhas lágrimas e meu suor.
Alegria que emanava de mim e que foi embora junto com a embriaguez.
Promessas, planos e dívidas,
Todos se amontoando ao meu redor, me afogando aos poucos.
Me afogando de sobriedade, me afogando de realidade,
E eu nem faço questão de lutar contra correnteza.
Afundar é mais fácil.
Afundar a cabeça no travesseiro e só levantar quando ela desistir de explodir.
Antonio.
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