quinta-feira, 14 de maio de 2015

Eu tô bem triste



Estou sim, ou estava, até algumas horas atrás. Tô decepcionado comigo mesmo, bateu aquela bad trip, uma mistura daquele sentimento de apatia e esgotamento típicos de um domingo, "endominguei" em plena quinta-feira; Acontece que eu parei pra pensar no que eu fiz até o presente momento, reli todas as minhas listas de metas e me dei conta de que tornei realidade pouquíssima coisa nelas.

Não havia comentado com vocês, porque não encontrava as palavras corretas, vocês não fazem ideia do tanto de rascunhos que tentar escrever sobre essa situação me rendeu; Então vou tentar ser mais breve e claro dessa vez. Nesse domingo, 17 de maio fazem três semanas que eu deixei a casa na qual eu vivia com minha mãe, padrasto e irmã, me mudei para a casa da minha vó, cada dia que passo aqui eu tenho certeza que isso é provisório e que eu tenho que arrumar um canto, mas meu estágio sozinho não me sustentaria nem por um milagre.

Saí de casa pois estava vivendo algo como um eterno inferno astral, a relação com minha mãe indo de mal a pior entre outras coisas que prefiro guardar pra mim para não me expor e não expor ninguém. Tô aqui na casa de minha vó e vejo que ela se esforça muito para me deixar confortável, porém infelizmente não está funcionando, não a culpo, até porque foi ela a única pessoa com quem pude contar nesse momento, mas viver com ela tem seu preço, posso estar longe de todo aquele ambiente hiper conturbado que era a minha antiga casa, mas aqui também tem fatores que geram sentimentos bem parecidos com os que eu sentia lá.

Tem meu avô, enfrentando as sequelas de um AVC, em cima de uma cama, me incomoda muito vê-lo nesse estado, conviver com essa situação é muito duro, ele não consegue me responder,  nem fazer coisas que há pouco tempo atrás fazia sozinho. Tem minha prima com necessidades especiais, em breve passará por uma cirurgia, já está bastante debilitada, divido quarto com ela. Tem minha vó, com seus quase 70, tendo que dar conta disso tudo sozinha, com a ajuda de uma cuidadora meio período ao dia, e ajuda dos meus tios que não a isenta nem de metade do esforço que ela faz.

Me comprometer com estudar e vestibular me parece tão egoísta dentro dessa perspectiva, ver meus problemas com minha mãe e meu padrasto sob esse olhar me faz pensar, até que aquelas posturas não eram tão abusivas, que eu poderia aguentar mais um pouco e depois cair no mundo...

Pra quem me acompanha de perto eu tenho tentado mostrar maturidade diante dessa situação, mas a realidade é que eu não consigo fazer nada direito, me falta tato pra tudo, eu tô sem chão,sem norte e eu não tenho ninguém que compreenda isso na real, são sempre os conselhos e sermões prontos, como se de alguma forma eu tivesse me colocado nessa situação propositalmente.

Hoje mais cedo, abri o facebook e vi que ainda esse mês abrem as inscrições do ENEM, que vai ser realizado em outubro, eu nada tenho feito para me preparar, só serviu pra me lembrar que entrei na rota do fracasso e tá bem difícil de voltar atrás agora, como faz?

Eu poderia estar revoltado, queimando aula, bebendo, fumando, cometendo pequenos delitos pra preencher todo esse vazio que me apareceu e saciar essa revolta crescente, mas eu só quero reverter esse quadro, mas tá difícil, eu não sei como vou fazer, nunca me senti tão pertencente a lugar nenhum como agora...

Me desculpem o desabafo, mas eu precisava muito externar isso.

Antônio.

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