A crença na vida fica um tanto desacreditada quando você assiste impotente a vida se esvair na sua frente, os sonhos parecem mera miragem que a gente se esforça pra enxergar no lugar da realidade, principalmente depois de experiências traumáticas.
O trauma tem sido uma constante, seja ele psicológico ou físico, a agressão faz parte do que me moldou como ser humano, tal qual o abandono não é algo feliz de se perceber. Fui moldado no grito e na mão firme, mão essa daqueles que alegam terem agido assim na intenção de me fazer mais resistente, não funcionou. Mas eles juram que seriam mais ainda intensos se pudessem voltar no tempo...
Na verdade não me soa lógico que quem diz querer me fazer mais resistente seja exatamente a razão pela qual eu tenho que resistir todos os dia, é incoerente essa linha de argumentação.
Apesar da mente quebrada, dos sonhos quebrados, da vontade de existir inexistente, tento me manter racional ao máximo, não sei se faço isso por segurança ou se isso é um autoflagelo, porque existir desse jeito tem sido doloroso.
Pessoas tem se incomodado com a minha expressividade, dizem que Deus tem que ter muita misericórdia de mim, incitando que eu esteja envolvido em praticas erradas, quando na verdade a minha única prática é a apatia.
Eu tenho tentado não existir.
Eu não gosto de existir em ambientes onde não sou respeitado e as pessoas ao meu redor não fazem o exercício da empatia pra tentar me compreender mas ao mesmo tempo me cobram exatamente essas coisas.
Minha única esperança tem sido, poder ir o mais longe possível disso tudo, falo de distância geográfica quando digo isso, pois se acham que me expresso na intenção de incomodar ou afrontar qualquer um, estão enganados.
Me expresso pois ou artista e preciso me expressar para viver.
Crescer é desconfortável, naturalmente desconfortável, eu não entendo o empenho em piorar as coisas pra quem já está na pior que já esteve.
Porque você me odeia tanto?
Eu posso garantir que nunca intencionei me apropriar do que não é para mim e a única coisa da qual eu venho tentando me apropriar todos esses anos é da minha própria vida, pois é meu direito.
Sinto que meu corpo funciona cada dia pior e que minha mente tem produzidos pensamentos perigosos para mim mesmo. Porque até na minha raiva eu sou implosivo e prefiro prejudicar a mim mesmo do que qualquer outro, sem coitadismos.
Eu não estou na sua linha de visão, eu sequer me imponho, mas você não pode esperar levantar contra mim sua mão e que eu fique risonho, não é verdade?
Eu não quero ser machucado, existem muitas feridas ainda abertas dentro de mim que eu não tenho dado conta de curar, há muita preocupação acerca do que será o meu futuro pra mim nesse momento e do meu lado não há quem eu possa compartilhar isso.
Tem sido solitário...
Eu estou sofrendo mas nem empatia eu estou pedindo, resguardo minha raiva, minha dor e meu grito, esperando que em algum momento tudo passe e tudo fique bem, não há muito mais que eu possa fazer infelizmente.
A toda gente que eu vejo sem de fato enxergar, a toda parte que estive sem estar, a tudo que me esforcei mas tentei sem tentar, porque?
Não me trate como incógnita, enigma a decifrar, não sou objeto pra sua abstração, não ouse me classificar, se tanto me compreendes porque tão pouco fizeste para me ajudar?
Ton.






