quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Ré(trospectiva)




Renascer, Ressurgir,
Reorganizar.

Reaver, Relutar,
Redefinir.

Redistribuir, Reunir,
Recomeçar.

Reconhecer, Reutilizar,
Repartir.

Chegou aquela época do ano onde o mundo engata a ré pra seguir em frente.



Antonio.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Dipping - Sinking - Dying - Finding




Luz vermelha no Dark room de uma boate à beira mar. Lá estavam C. e F. sentados e entediados, embriagados o suficiente para conversar com sobriedade:

[C.]

- [...] Na verdade eu não sei.
Se soubesse não contaria, esse será
o nosso segredo tudo bem?

[F.]

- Do que a gente precisa? Do que fazemos questão?
Nada se compara ao que fizemos, foi tão bom e tão único.

[C.]

- Memoráveis são os nossos feitos.
Mas nada permanecerá, afinal nós queimamos
nossas memórias todos os dias em folhas de seda.

[F.]

- Então meu querido, vamos descer o morro e cair no mar.
Cansei de admirar todos esses olhos vermelhos e miúdos.

[C.]

- Vamos, mas me promete que não vai acabar,
não quero esquecer mais uma vez.

[F.]

- Prometo não, eu juro. Dessa vez o momento será eterno.

Amanhece na orla da cidade, a boate está de fechada agora, C. e F. eternizaram-se, mergulharam pois estavam perdidos, a busca era constante, a sede de se encontrar era grande, se afogaram, perdidos em si mesmo e em tudo que os circundava. Dois barcos partiram do cais e não irão mais retornar.


Antonio.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Árvore



Lancei em terra fértil,
Lancei uma boa semente.
Ela germinou, enraizou,
Floresceu, frutificou.

Um ciclo foi vivido.
Início, meio e fim.
Eu vivi os momentos,
mas depois do fim, me questiono
se os vivi o suficiente.

Agora os frutos caíram,
As flores secaram, as raízes
Não absorvem mais os bons nutrientes da terra.
Onde um dia houve tanta vida hoje sobra inércia.

Observo os galhos, hoje secos,
Me recordo da confortável sombra que me era proporcionada.
Percebo que sou impotente diante do ciclo da vida.

Espero a próxima primavera para ver vida novamente naqueles galhos.
Espero que a estação de inércia da árvore não seja eterna,
Espero que a minha inércia não dure para sempre.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Sobre agradecer e despedir-se

Na última Quarta-feira, dia 16, esse canto aqui completou um ano de existência, eu estava realmente muito feliz por ter conseguido manter o projeto vivo mesmo que 2015 tenha sido um ano especialmente difícil para mim.

Eu estava pronto para postar algo muio alegre e agradecido (continuo alegre e agradecido) mas uma notícia que recebi na tarde do dia 16, me roubou momentaneamente todos os sentimentos bons, essa semana perdi uma grande amiga, mais do que isso, aquela que foi meu primeiro grande amor, Emanuelle.
.

Ela se foi, subitamente, confesso que até agora eu tento entender o porque, mas sei que esse questionamento não vai me trazer nenhum conforto, pelo contrário, tenho sido perturbado por ele nas últimas noites.

Tô preferindo pensar que, ela cumpriu a missão dela aqui na terra, que foi nos cativar com seu sorriso e sua gentileza, mas não deixo de me sentir assaltado, arrasado. A boa vontade, os bons sonhos, a amizade incondicional perderam uma de suas maiores entusiastas e eu sofro muito com essa perda.

Eu vou lembrar dela sempre, nada vai me tirar da memória tudo de bom que ela representava, tá faltando um pedaço enorme de mim, mas a vida segue, tem que seguir...

Eu agradeço a todos vocês que me acompanharam em 2015, mesmo que anonimamente, foi muito difícil pra mimi decidir tornar público o que eu escrevia só pra mim, e é muito gratificante receber um feedback tão bom, mesmo que pouco, eu pretendo seguir com o blog em 2016, espero continuar compartilhando as coisas que eu penso e me acontecem aqui.


Antonio.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Inocência sufocada.


Há três anos atrás isso começou, e no começo ele era apenas o novo cara que estava saindo com minha mãe, mas bastaram alguns meses de namoro para que revelasse a sua índole monstruosa, começou com um roçar de mão na minha coxa, ele me disse " se contar algo pra tua mãe, mato você e ela" na época com oito anos de idade, tive que optar entre minha integridade física e psicológica e a vida de minha mãe.

Foi muito doloroso vê-la se envolver emocionalmente com aquele monstro, mas eu estava nas suas mãos, eu tentava avisa-la de forma sútil, mas ele me cercava e ameaçava, e ao perceber que me deixava a sós com minha mãe tempo demais, tempo suficiente para que contasse a ela sobre os abusos, fez a proposta de casamento. Eu entrei em desespero, persegui minha mãe até no banheiro para tentar contar, mas foi inútil ela estava deslumbrada com as coisas do casamento, eu iria entrar de daminha de honra...

Meu ultimo esforço para evitar o casamento e desmascará-lo foi quando o padre perguntou se alguém tinha objeção contra a união, fiz menção de levantar me braço, mas ele olhou para mim de forma que parecia enxergar o tamanho do medo que eu sentia, não dele, mas de perder minha mãe, e me faltou coragem. Eles não tiveram lua de mel, pois eu não tinha com quem ficar, afinal, nós não tínhamos família por perto, só uma tia já idosa que vivia em outro estado, então minha mãe optou por ficar em casa, e tirar uma semana de folga para que "curtíssemos" os três juntos.

Ele me culpou muito por não ter tido lua de mel, e toda madrugada durante aquela semana ele vinha até meu quarto silenciosamente e me machucava, eu tinha que esconder todos os hematomas e fingir felicidade, porque se minha mãe notasse alguma marca ou diferença no meu comportamento ele dizia que iria matá-la durante o sono e depois viria atrás de mim.

Foi assim durante os últimos três anos, criei estratégias, para evitá-lo, comecei a ir dormir na casa de amigas da escola, mas haviam vezes em que ele ia me buscar no meio da noite alegando que minha mãe estava sentindo saudades, e nessas vezes eu era obrigada a sentir minha inocência escorrer do meu corpo invadido por aquele porco.

Mudei de comportamento, me fechei pra tudo, eu tinha vergonha de mim mesma, eu não me sentia digna de estar perto das outras crianças, eu era suja. Tudo culpa daquele monstro, mas quando minha mãe notava alguma diferença ele ressaltava que isso era amadurecimento, que eu era uma garotinha muito adulta pra minha idade e minha mãe achava isso bom, não percebia meus olhos gritando por socorro em completo silêncio.

Prestes a fazer doze anos, arquitetei um plano para que fosse pego no flagra; minha mãe sempre largava do trabalho depois dele, nesse dia iria sair mais cedo, consegui convencê-la a surpreende-lo, chegando mais cedo em casa sem avisá-lo. Então quando chegou em casa ele veio ao meu quarto, como costumava fazer, alguns poucos minutos depois minha mãe estava chegando na porta de casa, ele ouviu o barulho da porta, e me disse pra não gritar me mostrou um canivete mais uma vez ameaçando-me.

Começou a vestir as roupas apressado, eu vi meu plano ir por água abaixo quando ele respondeu o chamado da minha mãe que estava subindo as escadas, não resisti e gritei "Socorro mãe! vem aqui no meu quarto rápido!" ele se virou pra mim, olhou para o canivete que havia repousado no criado-mudo para vestir as calças, quando fez menção de pegá-lo, minha mãe invadiu a porta do quarto e antes que ela completasse a frase " O que está acontecendo aqui" ele se jogou contra ela e agarrou pelo pescoço, Dizendo : - Eu não te disse pra ficar quieta! Eu te avisei... Se tu contasse pra tua mãe, morria você e ela. Mas você não quis me ouvir agora, você vai ver sua mãe morrer na sua frente, por sua culpa.

Minha mãe em estado de choque não parava de perguntar aos berros o que estava acontecendo, o filho da mãe ainda teve coragem de dizer que eu o seduzia, que ele era homem e não se segurou, minha mãe endureceu as feições e ficou pálida, deixou apenas alguma lágrimas silenciosas caírem, ele continuou, "Ela! Ela estragou tudo amorzinho! Estava tudo tão perfeito, mas ela escolheu armar esse circo, agora, eu não quero passar nenhum segundo na cadeia..." Ele se preparava pra continuar o seu discurso podre, quando eu não sei explicar como, minha mãe o atingiu e mandou que eu corresse e buscasse ajuda.

Oscilei um pouco pois não queria deixá-la só com aquele monstro mais ela o desarmou e disse, "Vai!", saltei por cima do porco que agonizava no chão, desci as escadas, ouvi minha mãe gritar e quis voltar e ajudá-la mas sabia que sozinha seria uma presa fácil, então continuei a descida apressada.

Saí pela porta apressada e gritando o mais alto que eu conseguia e rapidamente algumas pessoas da vizinhança saíram às portas, uma mulher veio ao meu encontro com uma manta e me cobriu, não havia notado mas havia saído apenas com a roupa de baixo, me senti envergonhada mas ela se abaixou ao meu lado e me perguntou o que estava acontecendo, tentei conter as lágrimas e expliquei o que estava acontecendo dentro da minha casa, ela sacou o telefone e ligou pra polícia, o filho dela e o marido entraram na minha casa e encontraram minha mãe no chão, ensanguentada, o monstro havia fugido pela janela.

Por sorte a polícia não demorou a chegar e ela foi preso não muito longe de casa, minha mãe foi socorrida, e depois de uma semana na UTI, ela está em um quarto, quando me viu ficou se desculpando por não ter notado antes, porém eu só me calei porque não queria perdê-la e ela quase morreu pra me proteger, portanto não existe débito.

Estamos mais unidas que nunca e aquele porco foi sentenciado, vai pagar pelo que fez, nós vamos reconstruir nossas vidas, continuar e trabalhar para que coisas como essas que me aconteceram não aconteçam mais para nenhuma menina ou menino.

Algumas feridas ainda estão abertas e vão demorar pra cicatrizar eu sei, mas eu sei que as cicatrizes vão me fazer mais forte, eu e minha mãe estamos estudando a criação de uma ONG para ajudar outras pessoas que estão passando por situações parecidas com a que nós vivemos.

No final acabou tudo bem, mas eu queria que nunca tivesse acontecido.


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Violência doméstica contra mulher e abuso sexual contra crianças acontecem a todo momento, não são raras as vezes em que os algozes estão dentro de casa, não podemos nos calar e devemos denunciar. ligue 180 e denuncie anonimamente, aqui pode ser só ficção mas lá fora é real não se omita.


Antonio.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sobre completar 18 anos

Sabe deus porque eu não gosto do meu aniversário, ou melhor não gosto de comemorar. Acontece que como parte da minha mudança de atitude se tratando desses hábitos esquisitos que eu não sei de onde vieram, eu tentei ficar mais de boa.


Algumas coisas me ajudaram a ver o aniversário com uma data feliz e especial, começando por minha amiga Andréa que me presenteou no sexta-feira dia 04, com um livro maravilhoso, " O Mundo de Sofia" nunca um livro me traduziu tão bem, sério é maravilhoso! Não consigo Largar, o melhor de tudo é sempre ter a sensibilidade de Andréa, agradeço sempre por tê-la como amiga!


No dia 06, que é o dia do aniversário, acordei meio indisposto com a vida, mas recebi uma mensagem de Milen (outra miga) me chamando pra comer um cachorro quente, me animei logo, comi uns cinco dogão com direito a salsicha tripla hahahaha. Depois saímos pra andar e explanar sobre como a vida muda depois dos dezoito e não concluímos nada porque ficamos rindo a cada sílaba!

Mais tarde fomos na casa de Lara, comemos brigadeiro, eu quebrei o gato de Lara (foi sem querer rs), molhei o encarte do CD autografado da Vivendo do Ócio dela e ela nem me matou, tolerou pois era meu aniversário, talvez seja essa a graça de aniversariar, todo mundo disposto a te bajular...

Ainda quando cheguei em casa mais tarde minha mãe tinha pedido pizza, não tinha jeito melhor de terminar o dia! Resumindo eu passei meu aniversário comendo e bem feliz, pela primeira vez desde que eu me lembro!

No dia 07, ontem no caso, eu resolvi usar minha maioridade pra alguma coisa, comprei bebidas e cigarros, apesar de beber muito pouco e não fumar, e não fazer o mínimo sentido porque você consegue comprar bebidas e cigarros sem precisar  ser maior em qualquer lugar... Mas eis aqui parte das minhas aquisições de menino maior de idade:


Não contente com, fui lá e fiz um cartão de crédito que eu nunca vou usar, pra não correr o risco de me endividar, não faz sentido nenhum também, eu sei, acho que me empolguei com esse lance de comemorar o aniversário... Acabou tudo assim.


Enfim foi um dia em sua maior parte suave, vou tentar incrementar coisas como reunir os amigos no aniversário que vem, bolo e velas, feliz 18 anos pra mim!


Antonio.