Luz vermelha no Dark room de uma boate à beira mar. Lá estavam C. e F. sentados e entediados, embriagados o suficiente para conversar com sobriedade:
[C.]
- [...] Na verdade eu não sei.
Se soubesse não contaria, esse será
o nosso segredo tudo bem?
[F.]
- Do que a gente precisa? Do que fazemos questão?
Nada se compara ao que fizemos, foi tão bom e tão único.
[C.]
- Memoráveis são os nossos feitos.
Mas nada permanecerá, afinal nós queimamos
nossas memórias todos os dias em folhas de seda.
[F.]
- Então meu querido, vamos descer o morro e cair no mar.
Cansei de admirar todos esses olhos vermelhos e miúdos.
[C.]
- Vamos, mas me promete que não vai acabar,
não quero esquecer mais uma vez.
[F.]
- Prometo não, eu juro. Dessa vez o momento será eterno.
Amanhece na orla da cidade, a boate está de fechada agora, C. e F. eternizaram-se, mergulharam pois estavam perdidos, a busca era constante, a sede de se encontrar era grande, se afogaram, perdidos em si mesmo e em tudo que os circundava. Dois barcos partiram do cais e não irão mais retornar.

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