domingo, 17 de janeiro de 2016

Retrato de família

*Se preferir pode ler isso ao som de Family Portrait da P!nk

Você vê quem é querido e quem não é pelos porta-retratos na estante da sala.
Uma rejeição que eu não conquistei por mérito próprio respinga em mim,
 mas quando você precisa de ajuda orgulho será a última das ferramentas a te servir,
então eu adentro novamente a mesma sala de estar, de mal estar.

Sinto todos aqueles olhares me fuzilando, depois vem as perguntas e constatações de praxe,
"Nossa como você cresceu!" "Como vai a sua mãe?"
Nenhuma delas feita com a intenção real de ouvir uma resposta sincera,
esperam a mesma reação robótica de sempre, digo que estou bem.

Afinal compartilhar do mesmo sangue não preenche os critérios suficientes
para poder encontrar conforto no seio da família.

Eu sou aquela visita que arranja uma dormida no fim de semana,
eu sou a cadeira que sobra quando a mesa do jantar já está completa.

Eu sou aquele que ninguém sabe a data do aniversário de cabeça,
mas tudo isso não me fere, já me feriu um dia,
mas agora aprendi a lidar com o fato de eu ser a lacuna que não precisa ser preenchida,
eu sou elemento figurativo da cena e faço isso bem.


Antonio.

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