Oi pessoas, tudo belezinha?! Eu espero que sim! Eu vim aqui hoje falar sobre algo que durante muito tempo da minha vida, especialmente na infância e pré-adolescência me atormentou e por incrível que pareça essas semanas eu senti na pele novamente, a diferença é que dessa vez veio em forma de discurso de ódio e não sob a forma de implicância infantil, acho que a gente consegue fazer uma paralelo entre as duas coisas e é isso que eu vou tentar nesse post.
Pra começar é inevitável falar sobre como foi minha infância e que tipo de criança eu fui, criado a maior parte do tempo pela minha família materna, numa casa de 3 quartos e uma laje batida, dividida por 10 pessoas, Eu, minha mãe, minhas 5 tias, meus 2 tios, meu vô e minha vó.
A maior parte do tempo eu passava na companhia das mulheres da casa, elas que me educaram e contribuíram na minha formação de caráter, naturalmente eu absorvi alguns vícios comportamentais e trejeitos lidos como "femininos", isso foi motivo pra sofrer bullying dentro do meu bairro e escola.
Minha mãe foi empregada doméstica durante toda minha infância, aconteciam alguns eventos e a patroa pedia que ela dormisse no trabalho, ou até mesmo me convidava para eventos do condomínio, tais como dia das crianças, são joão, nesses eventos eu me misturava com as crianças que residiam lá, e tudo corria bem, até algumas delas notarem que eu não pertencia ao mesmo universo e me perguntavam "Qual o seu andar?" e no desenrolar da minha explicação, de que eu não morava ali que eu era filho da empregada do 603, o tratamento mudava, normalmente eles começavam a me isolar.
Quando eu tinha 10 anos e estava fazendo a 5ª série, eu mudei prum colégio um pouco mais longe de casa, sob alertas de toda a minha família de como esse colégio podia ser diferente dos outros, o que me assustou até porque os outros colégios não tinham sido uma experiência muito boa.
Mas eles estavam certos, nesse colégio, eu recebi os piores apelidos, tomei as piores surras e uma certa vez fui perseguido por alguns garotos até quase em casa, esse ocorrido proporcionou uma troca de turno e a primeira e única vez que meu pai foi num a reunião do colégio.
A postura que meus pais tomaram além da mudança de turno, foi me pedir que eu mudasse de comportamento, nas palavras do meu pai "Você precisa se plantar" se plantar seria fazer pose de durão, na cabeça dele isso iria me livrar de ser alvo de agressões, mas na real o problema não era meu comportamento, o problema nunca esteve em mim...
Tudo isso me fez uma criança sem amigos na minha rua, e no colégio eu não me sentia confortável de me aproximar de ninguém, as coisas melhoraram com a mudança de turno, mas como já era final de ano e eu tinha me isolado eu nunca poderei dizer como aquelas crianças me tratariam se eu fosse como eu era.
Um pouco mais tarde na minha vida escolar esse bullying ficou mais explícito, não tinha um único dia que eu não levasse tapas na nunca e ouvisse coisas como "viadinho" ou "Baleia fora d'agua", isso tudo melhorou quando na sétima e oitava série eu comecei a fazer amigos, essas pessoas não se importavam se eu era o gordo que andava rebolando, eles me aceitavam, me incluíam, riam comigo e faziam os meus dias felizes e ainda hoje tenho essas pessoas como amigos!
Os meninos que me zoavam e me agrediam, cresceram e em sua grande maioria, se transformaram em homens LGBTfóbicos, racistas, gordofóbicos e se eu deixar eles vão continuar a implicar comigo, mas eu aprendi a passar sem dar bola para as provocações deles. Eu sei que uma parcela do meu bairro pensa que eu sou metido e esnobe, mas é que fica muito difícil não lembrar do quão pesada eles tornaram minha existência e tentar ser amigo dessas pessoas fica meio inviável.
Quem me conhece melhor, até mesmo dentro do bairro, sabe que eu sou qualquer coisa menos metido e esnobe, é que a perspectiva deles fica embaçada por todos os conceitos deturpados que eles criaram sobre pessoas que são como eu sou...
Eu quero deixar um recado pra todos vocês que possam ter passado ou estão passando por situação parecida, eu sei que ser tratado mal só por ser diferente de alguma maneira é uma bosta, mas eu posso dizer por experiência própria que passa, vai passar! Existe esperança! Eu sofri bastante, e ainda existem pessoas com corações ruins, pais que passam seus preconceitos pros filhos e se omitem diante das consequências disso, mas hoje eu sou um cara muito melhor resolvido comigo mesmo e cheio de amigos e muita felicidade compartilhada!
Pra não ficar só nas minhas palavras, eu vou deixar aqui o maior hino de autoestima e autoaceitação dessa década, com vocês Born This Way da Lady Gaga (Tá legendadinho em português pra você que não manja inglês poder acompanhar a letra <3)
Antônio.

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