segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ovos, maçãs e empadões

Ontem eu estava me preparando pra sair mas enquanto eu me arrumava, eu e minha mãe conversávamos. Eu não lembro muito bem como a conversa chegou nesse ponto mas minha mãe me perguntou -Ei, qual foi o primeiro desejo que você realizou com seu primeiro salário? Parei pra refletir, em poucos segundos as imagens começaram a se formar na minha cabeça. 

Eu vi um Antonio ainda mais jovem, pra ser mais exato com 14 anos de idade, que assim que entrou no ensino médio saiu em busca de estágio, eu me vi saindo daquela sala comercial naquele grande prédio no bairro do Comércio aqui em Salvador, no meu bolso estavam os primeiros 300 reais conquistados por mérito e trabalho. Lembro de andar e parar diante das vitrines de uma padaria da esquina, parei e realizei aquele que tinha sido meu desejo todos os dias naquele primeiro mês de trabalho, comprei o mais bonito empadão, foi como comer um pedaço de nuvem, eu queria levar no mínimo mais cinco pra comer em casa, porém aquele dinheiro já tinha outros compromissos.

Respondida a pergunta de minha mãe, ela me relatou como foi pra ela essa mesma experiência, ela tinha por volta de 16 anos e tomava conta de um casal de bebês chineses, ela conta que assim que pegou o primeiro pagamento, realizou aquele que era o maior sonho de uma adolescente, uma das filhas mais velhas de uma prole de 8, comeu a primeira maçã inteira sozinha.

Após contar nostálgica com foi a experiência dela, ela lembrou que minha avó também tinha um sonho de consumo, mais simples que o dela e infinitamente mais simples que o meu, minha vó desejava conseguir comer um ovo inteiro sozinha, um simples ovo.

Eu terminei de me arrumar pra sair,  e durante todo o dia aquela reflexão feita em conjunto com minha mãe me acompanhou, não pude deixar de perceber que mesmo pertencentes a gerações diferentes, eu,minha mãe e minha vó, temos algo em comum, o desejo de realizar desejos.

Pobres, fomos, somos e seremos, pobres de dinheiro no caso, os sonhos que nós temos vão além de simples sonhos de consumo, vão além de ovos, maçãs e empadões. Mas quantos sonhos não foram, ainda são e serão frustrados durante gerações porque apenas são colocados ao alcance de nossos braços bens de consumo?

Porque minha vó estava trabalhando e não estudando desde tão nova? E minha mãe porque ela estava cuidando dos filhos de outras pessoas na idade em que ela deveria estar cuidando de si mesma? E eu, porque eu tive que estar trabalhando desde cedo ao invés de me dedicar integralmente aos meus estudos?

O que está acima disso tudo? O que essas coisas tem em comum? Não é suspeito que essas coisas se repitam na mesma família? Eu sei que minha mãe tem sonhos maiores que uma maçã, eu sei que minha vó tem sonhos maiores que um ovo e eu tenho sonhos maiores que um empadão.

E foi difícil pra elas levar a vida, ter dignidade perante a sociedade tem um preço alto e infelizmente para as pessoas pobres esse preço tem sido os próprios sonhos, eu quero ir além do que aqueles que vieram antes de mim foram, não pra inferiorizá-los mas para mostrá-los que valeu a pena e que eu lamento que eles tenham tido que fazer tamanho sacrifício, mas valeu a pena pois eu quebrei esse ciclo vicioso e abri caminho para os que virão depois de mim.

Sonhos não são produtos e nem o tempo consome  os sonhos, a saúde, a sanidade e a esperança das pessoas não podem ser colocadas à venda, eu sei que a minha perseverança significa força e força para os meus, para aqueles que vieram do mesmo lugar que eu, eu resisto porque quero que eles saibam que podem ir a qualquer lugar que quiserem, que podem conquistar mais que ovos, maçãs e empadões.

Antonio.

sábado, 12 de novembro de 2016

19

De repente você está a pouco menos de um mês do seu aniversário de 19 anos e começa a se perguntar, o que essa data realmente significa pra mim?

Por um lado existe o orgulho por ter sobrevivido, resistir todo esse tempo é motivo pra comemorar. Quantos e quantas aqui muito infelizmente não chegaram aos 18, quantos não chegarão?

Por outro lado, os dias são pesados e carregar peso cansa, você olha pra frente e vê que ainda tem muito chão pra caminhar, será que os pés já bastante cansados e calejados conseguirão continuar essa caminhada?

Esses dias eu li em algum lugar que a gente só é realmente feliz se temos com quem compartilhar nossa felicidade. Mas e quanto os problemas, as dores e as angústias será que existem pessoas verdadeiramente interessadas em fazer essas trocas?

Eu não gosto de soar desesperançoso, eu sempre me preocupo em ter uma atitude positiva diante de qualquer situação que se apresente a mim, mas eu preciso externar de alguma forma que os dias que estão por vir e o que eles me reservam me enchem de preocupação, será que vou dar conta?

Mais do que apenas sobreviver, eu quero viver e reviver, eu quero sonhar e realizar, eu quero que os meus dias sejam cheios de inspiração e pra isso eu tô fazendo minha parte, o resto é sorte eu acho.


Antonio.

domingo, 30 de outubro de 2016

Se não foi postado não foi vivido?

Oi pessoas, tudo bonzinho com vocês? Eu realmente espero que sim! No próximo fim de semana, vai acontecer o ENEM e alguns amigos resolveram sair pra relaxar, afinal 2016 não tem sido um ano fácil pra ninguém e acaba se tornando bom e necessário dar uma extravasada, eu acabei não indo por motivos de: Preguiça, muita preguiça.

Eles foram num pub aqui da cidade onde uma banda alternativa iria se apresentar, hoje de manhã, umas das amigas que foram no rolê me mandou aquela clássica mensagem "Foi ótimo, só faltou você!" conversa vai conversa vem, ela comentou que eles ficaram fazendo um esquenta do lado de fora do pub e acabaram entrando um pouco tarde e ficaram longe da banda...

Estaria tudo tranquilo se não fosse o fato de que era impossível enxergar qualquer coisa pois haviam muitos celulares erguidos, as pessoas estavam gravando a apresentação. Agora eu quero que você pare um pouquinho e pense, quantas vezes nos últimos anos você presenciou cenas parecidas?

Eu mesmo já fui em shows e filmei as apresentações e nunca mais assisti aqueles vídeos novamente, eles estão juntando poeira em algum lugar aleatório do meu hd, alguns pessoas filmam pra depois, ou até mesmo simultaneamente postar nas redes sociais.

Eu até compreendo que muitos eventos hoje em dia utilizam ferramentas de interatividade que pedem a utilização desses recursos, é até bem legal nesse caso, uma forma de fazer a platéia participar no show e é claro que todo mundo tem direito de guardar pra si as memórias que quiser, mas no caso relatado por minha amiga, onde se tratava de um evento relativamente pequeno, fica difícil entender porque ao invés de curtir o momento as pessoas estão tão preocupadas em registrá-lo.

Em shows de Kpop é muito comum a utilização de uma adereço chamado "lightstick"
que serve pra colorir a platéia e demonstração de apoio ao grupo que está se apresentando por parte dos fãs 

Na minha concepção, você pode registrar um milhão de imagens, fazer milhares de posts em todas as redes sociais, mas nenhum registro é maior e mais forte que a certeza de ter vivido aquilo, naquele lugar, com aquelas pessoas, que danem-se os likes, um momento não pode ser capturado, se você não se permite vivê-lo ele infelizmente passou.

Era só isso mesmo, eu precisava falar, por mais bobo que pareça esse assunto ficou me incomodando o dia inteiro, talvez com um pouco mais de tempo eu fizesse uma reflexão mais profunda, mas por enquanto é isso mesmo, valeu <3

Antonio.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Sobre cortar laços

Tradução: Fique longe de pessoas
 que fazem você se sentir difícil de amar.
Esse texto me surgiu a partir de duas imagens achadas aleatoriamente na internet, mas também é baseado em experiências pessoais recentes, eu queria compartilhar com vocês o que penso sobre esse momento/ato de cortar laços e também as imagens é claro!

Eu já disse aqui no blog, repito mais uma vez a vida é melhor quando a felicidade é compartilhada! Mas é preciso fazer uma observação, não devemos compartilhar apenas os momentos felizes da nossa vida e experimentarmos sozinhos os momentos de angústia, tristeza, desesperança. NUNCA DE JEITO NENHUM.

A vida é mais gostosa quando estamos cercados de amigos, mas a vida continua sendo uma delícia quando estamos sozinhos com nossos problemas? Acho difícil suportar carregar o fardo sozinho sem dividir o peso de vez em quando, falo isso pois sou uma pessoa que não sabe dividir os problemas com ninguém (Meu Marte em Capricórnio).

Muitas vezes nos vemos cercado de pessoas e ainda assim sozinhos, conversando com alguns amigos eu percebi que isso é bastante comum. Não faz muito tempo que meu avô nos deixou e nos três anos de doença que ele passou, poucos amigos de bar dele foram visitá-lo, é compreensível, afinal a vida segue, uns ficam doentes, outros vão a falência e ninguém tem uma real obrigação de lidar com nossas dificuldades junto com a gente.

Amizade, não é sobre assumir compromissos, não existe contratos a serem assinados quando se trata de sentimentos. Quando se trata de sentir, ou você se sente bem ou você se sente mal ao lado de algumas pessoas e nós costumamos nos aproximar daqueles que nos fazem bem e queremos ficar ali, pois exite conforto, porém quando surgem as turbulências da vida muitas vezes escolhemos guardar tudo e não dividir afinal não queremos incomodar ninguém.

E se o seu circulo de amigos não te parece um ambiente tranquilo de compartilhar seus perrengues, talvez seja o momento de para e analisar quem realmente são aquelas pessoas na sua vida. Eu já passei horas pensando se era seguro compartilhar uma preocupação minha com alguém, a gente não quer ser julgado quando abre o coração, ninguém quer incomodar  afinal todos temos problemas não é verdade?!

Tradução:Quando uma pessoa tóxica já não pode te controlar, ela vai tentar controlar a forma como os outros o vêem.
A desinformação vai soar injusta, mas permaneça acima disso, confiando que outras pessoas acabarão por ver a verdade, assim com o você fez.
Então não se sinta mal por precisar se afastar um pouco pra se resolver, não precisa ficar justificando essa postura pra ninguém não, as vezes é necessário cortar laços tóxicos, eu sei que o momento mais doloroso é reconhecer esses laços, mas quanto antes você conseguir identificá-los mas rápido vai ser o processo de cura das relações que te forem danosas.

Já dizia Frida Khalo "Onde não puder amar, não te demores" e vale o retorno onde não for amado, compreendido ainda que nas ausências necessárias, não faça questão de estar, corte esses laços, pois não vale manter relacionamentos onde você se esforça muito pra ser ouvido, onde não existe reciprocidade.

A tal da reciprocidade é outra questão muito importante, eu particularmente acredito que não devemos fazer nada por alguém esperando algo em troca, isso é horrível. Mas sabemos que amor, amizade, paixão funciona muito melhor quando ela existe, porém reciprocidade não é algo que se deve cobrar de ninguém, ou ela existe ou não existe, e quando não existe é complicado...

Cortar laços não é o fim, não significa solidão eterna, talvez signifique uma abertura de espaço pra viver novas experiências com novas pessoas. Então faça o que tem que ser feito, não deixe a consciência pesar, todo pesar é passageiro, são em momentos como esse que podem nos aparecer os grandes amigos, os grandes amores, ESPERANÇA!


Antonio.




segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Vamos conversar sobre bullying

Oi pessoas, tudo belezinha?! Eu espero que sim! Eu vim aqui hoje falar sobre algo que durante muito tempo da minha vida, especialmente na infância e pré-adolescência me atormentou e por incrível que pareça essas semanas eu senti na pele novamente, a diferença é que dessa vez veio em forma de discurso de ódio e não sob a forma de implicância infantil, acho que a gente consegue fazer uma paralelo entre as duas coisas e é isso que eu vou tentar nesse post.

Pra começar é inevitável falar sobre como foi minha infância e que tipo de criança eu fui, criado a maior parte do tempo pela minha família materna, numa casa de  3 quartos e uma laje batida, dividida por 10 pessoas, Eu, minha mãe, minhas 5 tias, meus 2 tios, meu vô e minha vó.

A maior parte do tempo eu passava na companhia das mulheres da casa, elas que me educaram e contribuíram na minha formação de caráter, naturalmente eu absorvi alguns vícios comportamentais e trejeitos lidos como "femininos", isso foi motivo pra sofrer bullying dentro do meu bairro e escola.

Minha mãe foi empregada doméstica durante toda minha infância, aconteciam alguns eventos e a patroa pedia que ela dormisse no trabalho, ou até mesmo me convidava para eventos do condomínio, tais como dia das crianças, são joão, nesses eventos eu me misturava com as crianças que residiam lá, e tudo corria bem, até algumas delas notarem que eu não pertencia ao mesmo universo e me perguntavam "Qual o seu andar?" e no desenrolar da minha explicação, de que eu não morava ali que eu era filho da empregada do 603, o tratamento mudava, normalmente eles começavam a me isolar.

Quando eu tinha 10 anos e estava fazendo a 5ª série, eu mudei prum colégio um pouco mais longe de casa, sob alertas de toda a minha família de como esse colégio podia ser diferente dos outros, o que me assustou até porque os outros colégios não tinham sido uma experiência muito boa.

Mas eles estavam certos, nesse colégio, eu recebi os piores apelidos, tomei as piores surras e uma certa vez fui perseguido por alguns garotos até quase em casa, esse ocorrido proporcionou uma troca de turno e a primeira e única vez que meu pai foi num a reunião do colégio.

A postura que meus pais tomaram além da mudança de turno, foi me pedir que eu mudasse de comportamento, nas palavras do meu pai "Você precisa se plantar" se plantar seria fazer pose de durão, na cabeça dele isso iria me livrar de ser alvo de agressões, mas na real o problema não era meu comportamento, o problema nunca esteve em mim...

Tudo isso me fez uma criança sem amigos na minha rua, e no colégio eu não me sentia confortável de me aproximar de ninguém, as coisas melhoraram com a mudança de turno, mas como já era final de ano e eu tinha me isolado eu nunca poderei dizer como aquelas crianças me tratariam se eu fosse como eu era.

Um pouco mais tarde na minha vida escolar esse bullying ficou mais explícito, não tinha um único dia que eu não levasse tapas na nunca e ouvisse coisas como "viadinho" ou "Baleia fora d'agua", isso tudo melhorou quando na sétima e oitava série eu comecei a fazer amigos, essas pessoas não se importavam se eu era o gordo que andava rebolando, eles me aceitavam, me incluíam, riam comigo e faziam os meus dias felizes e ainda hoje tenho essas pessoas como amigos!

Os meninos que me zoavam e me agrediam, cresceram e em sua grande maioria, se transformaram em homens LGBTfóbicos, racistas, gordofóbicos e se eu deixar eles vão continuar a implicar comigo, mas eu aprendi a passar sem dar bola para as provocações deles. Eu sei que uma parcela do meu bairro pensa que eu sou metido e esnobe, mas é que fica muito difícil não lembrar do quão pesada eles tornaram minha existência e tentar ser amigo dessas pessoas fica meio inviável.

Quem me conhece melhor, até mesmo dentro do bairro, sabe que eu sou qualquer coisa menos metido e esnobe, é que a  perspectiva deles fica embaçada por todos os conceitos deturpados que eles criaram sobre pessoas que são como eu sou...

Eu quero deixar um recado pra todos vocês que possam ter passado ou estão passando por situação parecida, eu sei que ser tratado mal só por ser diferente de alguma maneira é uma bosta, mas eu posso dizer por experiência própria que passa, vai passar! Existe esperança! Eu sofri bastante, e ainda existem pessoas com corações ruins, pais que passam seus preconceitos pros filhos e se omitem diante das consequências disso, mas hoje eu sou um cara muito melhor resolvido comigo mesmo e cheio de amigos e muita felicidade compartilhada! 

Pra não ficar só nas minhas palavras, eu vou deixar aqui o maior hino de autoestima e autoaceitação dessa década, com vocês Born This Way da Lady Gaga (Tá legendadinho em português pra você que não manja inglês poder acompanhar a letra <3)



Antônio.


domingo, 2 de outubro de 2016

Relatos de um domingo de eleição municipal

Oi meninas hoje eu vim aqui dá dicas de como reutilizar santinho de político de forma artesanal.
Brincadeirinhas de lado, tamo aqui sentado no computador depois de ter exercido  o direito do votERROR. Acordei cedinho com minha mãe me chamando pra ganhar 40 reais panfletando pra político, enrolei ela e não fui, me arrumei e fui votar. 

Saindo de casa o clima de caos estava estabelecido, milhares de santinhos espalhados pelo chão, um punhado de nomes desconhecidos acompanhados de números espalhados pelas paredes, ruas congestionadas, pagodão comendo no centro, churrasco e cerveja pra todo o lado. 

Me dirigi à minha zona eleitoral, com o pensamento de votar nulo, até porque nenhuma das opções de candidatos me representa. 

Feito meu voto eu caminhei até a outra extremidade do meu bairro, casa de minha vó, e aqui não tá diferente de lá de casa, pelo menos eu pude sentar no computador e ficar rindo com os memes de gente escorregando nos santinhos a tarde inteira.

Tirando todos os transtornos comuns dessa época de eleição, é um domingo típico, cheio de tédio e daquela preguiça típica que os domingos costumam ter.

Pra não ficar apenas nessas poucas palavras, de um menino esgotado pelas poluições eleitorais de todos os tipos, eu vou deixar com vocês minha mais recente descoberta, eu assisto dorama (novelas, séries, filmes, produções asiáticas em geral) e descobri que um dos meus doramas tem uma musiquinha maravilhosa na trilha sonora, essa musiquinha é acompanhada de um videoclipe hiper fofo <3


O nome do dorama é Heroin e quem quiser ver é só clicar aqui!

Um abração <3



Antônio.

domingo, 18 de setembro de 2016

Eu vou abrir meu coração um pouquinho nesse post

Oi eu sou o Antônio, ou Tonho, se você preferir Ton. Algum tempo atrás eu criei esse espaço aqui afim de dar vazão à minha criatividade, tem sido muito gratificante ver um pouco do que elaboro na minha mente ganhar vida nessas linhas.

Não vou negar que muitas vezes faltou a tal criatividade, não preciso dizer o quanto frustante é ver morrer um projeto que eu gosto tanto de executar.

Acontece que o blog esteve morto assim como eu estive morto por dentro nos últimos meses. Mas o que eu pensei ser morte, não era, pelo menos não ainda, talvez um período de inércia necessário para fazer uma boa reflexão. Reflexão essa que me levou a rever minhas atitudes, compreender melhor a mim mesmo e as coisas que me circundam, alguns minutos ouvindo rap antes de dormir ( Especialmente essa do Grupo Inquérito e Essa também ) me trouxeram a luz de que com 18 anos eu ainda não estou acabado, pelo contrário, tenho a sorte de ainda poder tentar, mesmo que com a mente bagunçada e sem um puto no bolso.

Decidi que  não vou deixar meus sonhos morrerem na fronha, decidi que não quero tapinha nas costas e prêmio de consolação. É definitivamente mais difícil pra um filho de mãe solteira*, pobre e morador de periferia, mas eu vou fazer minha parte que é não desistir, que é não me entregar fácil, resistir! Continuar sonhando em estar entre os primeiros.

Minha maior vontade hoje é me reconhecer entre os meus e me inspirar neles, para quem sabe  no futuro poder inspirar outros moleques de 18 anos moradores de periferia como eu, a não desistir também, resistência não é apenas peça de chuveiro, e grande parte de resistir consiste em se reconhecer em si mesmo e se apegar nisso com todas as forças, acreditar e fazer por onde, ainda que as estatísticas digam o contrário, nós somos capazes!

Eu ainda não sei se com isso muita coisa muda aqui, mas minha confiança nunca esteve tão em alta e pela primeira vez em meses posso me declarar verdadeiramente feliz!

* Sei que "mãe" não é estado civil de nenhuma forma, porém esse termo resiste a desconstrução, portanto em respeito a minha mãe e todas as outras mães que batalham e dão conta sem ajuda de um pai, essa é foi a última vez que esse termo foi utilizado nesse blog, de agora em diante eu vou adotar o termo Mãe solo que é infinitamente mais digno <3

Antonio.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Basta!

Os ano pesando nas costas, a experiência refletida na habilidade de fazer gambiarras.
Foi isso que você esteve fazendo durante todos esses anos, não é mesmo? Nunca foi dado às prevenções, remediar sempre foi mais prático pra você, e o remédio era sempre o mesmo, "ignore o problema até que ele suma".

 Na verdade o que não dá pra conceber é essa ideia fixa de emenda, entre quem você é e quem eu sou, somos diferentes, totalmente diferentes! Os documentos eles não dizem nada e toda vez que você insiste em validar nossa ligação utilizando-se deles, eu sinto a dor que o gado sente ao ser marcado com ferro quente, mas que fique claro, a ti não pertenço.

 Logo mais chega teu fim, e você quer de mim a sua continuidade, mas não suporto a ideia de olhar minha sombra e te ver refletido.

Faço errado, faço torto e faço porque quero, você não vai me privar de tomar um atalho, viveu teu caminho e tua jornada, com todo respeito não me interessa ouvir suas desventuras, não existe doce nostalgia que disfarce o sabor amargo da doutrinação, por isso basta! Eu digo basta!


Antonio.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Aquela playlist pra quando você sente que não deveria estar naquele lugar

Acho que todo mundo já esteve em um daquelas festas onde você não fica bem, não se sente encaixado e tudo parece ruim e você não consegue curtir. Eu já me vi nessa situação umas quinhentas vezes, eu sempre prometo pra mim mesmo que nunca mais vou me colocar nessa situação de novo, mas chega o final de semana e lá estou eu de novo no cantinho observando tudo e esperando algum amigo dizer que é hora de ir pra casa.

O ruim é que até que decidam ir embora, eles vão fazer coisas enquanto você não está muito interessado de participar de nada ali, ninguém que ser aquele chato que interrompe a diversão dos outros e diz que quer ir embora. Pra ajudar a passar o tempo nessas horas eu montei essa playlist e espero que cês gostem!

1. All My Friends - Snakehips Feat. Tinashe &Chance The Rapper

O refrão dessa música diz, 



                                                  "Todos os meus amigos estão chapados
E eu odeio essa boate
Cara, eu bebo demais
Outra sexta à noite que eu desperdicei
Meus olhos estão pretos e vermelhos
Eu estou rastejando de volta para sua cama"

2. Here - Alessia Cara

Essa daqui meio que já virou o hino das festinhas furadas,


"eu me perguntava, o que estou fazendo aqui?"

3. Hoje Eu Quero Ficar - Valentin

Essa aqui você pode usar como mantra pra não se meter na mesma situação novamente,


"Prefiro ficar sozinho a perder algum amigo
Com piadas sarcásticas das quais só eu vou saber rir
Por mim tudo bem se você quiser sair
Mas hoje eu, hoje eu quero ficar."

4.Lado Bê - Scracho

Mas não pode ficar desesperado, é importante manter a calma, afinal se você está naquele lugar é por que você foi lá pra se divertir, sempre tem algo ou alguém que anima as coisas pra você, as vezes esse alguém é você mesmo, olha que incrível!


"Calma, mantenha a calma
Que sempre vai haver alguém
Que vai poder te completar a alma
Mantenha a calma
Que sempre vai haver alguém
Não se esqueça"

5.Gypsy - Lady Gaga

Se você assim como eu se vê nessas situações com frequência já deve ter pecebido que seu problema, não é com as festas, muito menos com seus amigos, você gosta disso, as vezes é seu jeito de curtir a festa, não é porque estão todos fazendo aquelas coisas que você precisa fazer o mesmo pra se mostrar confortável com a situação,

(Inclusive eu amo a apresentação do vídeo <3)

"E eu não quero ficar sozinha para sempre
Mas posso ficar essa noite"

Então é isso, se a festa tá furada e você deseja estar em outro lugar, meu coração está com você, que essa músicas possam aquecer seu coraçãozinho de alguma forma! O link da playlist no Youtube (clica aqui!


Antonio.


sábado, 9 de abril de 2016

13 perguntas pessoais

Oi pessoas, tudo bom com vocês? Eu espero que sim! Eu sigo e acompanho (ainda que muito irregularmente)  um monte de blog legal, dia desses passeando no meu feed de blogs, vi postagem nova no Blog do Adriel Cristian o Não me venha com desculpas. A postagem em questão era uma tag, que eu ADOREI, quando acabei de ler notei que nunca havia respondido uma tag aqui, talvez pelo fato de que normalmente te indicam pra responder e eu nunca fui indicado, mas pra estrear esse formato de post aqui no blog eu me auto indiquei e vou respondê-la aqui!

01 - O que costuma pedir no Starbucks?
"Nunca vi nem comi, eu só ouço falar" mas pelo que eu ouço falar é uma dessas cafeterias frufru onde as pessoas tiram foto do copo pra postar no instagram né?! Enfim, o mais perto que cheguei disso foi ir no Mc' Donalds e pedir uma café pra ganhar outro.

02 - Qual item do armário você não consegue viver sem?
Eu tenho uma coleção de roupas pretas lisas, porém tenho uma camisa daquela modelagem alongada, preta estampada  com ouroboros que eu vou com ela desde a padaria até em casamento, falo muito sério.


03 - Uma coisa que provavelmente não sabem sobre você?

Apesar de ter apenas 18 anos eu sou o mais velho de quatro irmãos.

04 - Diga uma coisa que você quer fazer antes de morrer.

Viajar bastante, conhecer tudo que tiver pra conhecer, sabe como é sagitariano né?!

05- Qual frase rege a sua vida? 

Eu tenho uma série de frases escritas pelas paredes do meu quarto porém a que mais me influencia e de certa forma rege a minha vida é um fragmento da música "Morada"(que parece mais uma linda oração) da banda Forfun é assim "Sigo por aí viajante, habitante de um lar sem muros" Expressa toda a minha ânsia e amor pela liberdade :)

06 - Qual comida você não consegue viver sem?

Eu não tenho uma comida preferida, eu como qualquer coisa que me pareça gostosa, mas eu adoro a culinária regional. Me chama pra uma caruru que eu já tô!


07 - O que você gosta e não gosta sobre o Youtube?

Eu percebo que ultimamente o Youtube tem tomado proporções cada vez maiores quando se trata de opção de entretenimento, disseminação de informação útil e até sigo e acompanho muitos Youtubers que produzem esse tipo de conteúdo mas ao mesmo tempo existe um necessidade chata de fazer qualquer coisa por likes e visualizações que eu não gosto muito, mas é aquele ditado, vamo fazer o que?

08 - Qual é a música mais ouvida no Spotify?

09 - Como você definiria seu estilo?
Eu não tenho um estilo muito bem definido, eu visto o que tiver limpo haha porém normalmente prefiro peças pretas, cinzas, um jeans e um All Star, já tá ótimo!

10 - Número favorito?

8 não sei explicar porquê mas amo esse número! 

11 - Dois hobbies?

Desenhar e ajudar desconhecidos a encontrar algum produto no mercado/loja e conversar sobre ele, eu sei que é esqusito, mas esse sou eu xD. 

12 - Duas coisas que te irritam?

Gente que fala gritando e pré-julgamentos, preconceitos no geral.

13 - Um prazer culposo?

Perder horas jogando League of Legends quando eu deveria estar planejando meu futuro e essas coisas.

Então é isso, espro que tenham gostado e espero novas indicações pra responder tags maravilhosas como essa! Beijos e até mais <3


Antonio.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Menina do Outono



Ela diz que enfim chegou a sua estação, 

diz isso com ar de quem muda ou mudará.

Ela canta, brinca e se entrega e ao passar do fim de semana, 
me conta que se arrependeu.

Ela sabe quantos corações arrebata todo dia mas 
ainda insiste em desacreditar do magnetismo que tem o seu olhar.

Ela reclama, ela chora, ela ri, faz birra, ela sente. 
Ainda que tão impaciente, espera pelo que há de vir.

Quando não contente se queixa e ainda me culpa, tira onda de maluca, mas lá no fundo ela sabe, 
que o mundo não é esse buraco imundo do qual ela tem pavor.

Ela sabe que existem coisas do lado de fora que valem a pena abraçar, 
mas o receio de tentar a impede de desfrutar de todos os prazeres e dores.

Presa aos números, tenta me convencer que o tempo 
tá passando mais depressa e por mais pressa que ela tenha de viver, não consegue sozinha.

Eu digo todo dia "Se desamarra menina, se desprende!
 O coração que te oriente, tu vai aprender a guiar"

Mas toda vez que solto as suas mãos ela tropeça, e quem sou eu pra 
ignorar quando ela estende a mão pra eu ajudá-la a levantar?


Antonio.

domingo, 6 de março de 2016

Quebra-mar


Quebra-mar, quebra o mar.

Quebra tudo que se põe insistente.

Quebra até o inocente.

Quebra na beira, quebra no meio
Na frequência do mar sem freio.

Traz ressaca, traz alegria, 
traz na sua composição um novo dia.

Fragmenta de novo cada parte, 
transforma o que é nu em arte.

O mar canta seu canto, 
que faz a ruptura mas reconstrói.
O mar sabe esculpir do seu jeito, nos seus moldes.

Por isso não questiono onde a onda quebra
 e o que ela quebra dentro de mim.

Já não me importo com o ambiente, 
o mar simula o vácuo, o vácuo simula o vazio, 
esse está mais dentro do que fora.

E flutuando onde o mar quebra,
não me exijo preenchimentos, posso ser vazio.

Posso ignorar o que em mim anseia por se encaixar 
e sendo onde for que essa vida me levar, 
posso me sentir em casa novamente se eu deixar o mar quebrar.

Antonio.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O quão cênico é o ato de regurgitar


*Talvez não tenha relação nenhuma, mas depois de escrever isso eu só consegui pensar nessa música, então se você achar conveniente pode dar play enquanto lê.



{..} Eu ando de uma lado para o outro, um incenso aceso na mão. Não tem uma rota específica, talvez a única rota seja a dos meus pensamentos, um sobrepondo o outro numa frequência absurda e estonteante. Meus pés imitam o pensar embaraçado e eu estou mais uma vez dançando aquela valsa bêbada.


Eu começo a sussurrar algumas palavras, eu sopro o incenso pra ver se ele queima mais rápido, eu entro na fina nuvem de fumaça perfumada, tem essência de mirra, seja lá o que isso for. A ansiedade é tanta que eu esqueci de pedir por proteção e essas coisas, não entoei nenhum mantra, nenhuma reza.

Estou tentando me manter calmo, estou calculando meus passos, estou usando os azulejos como régua pra medir o que tem de torto dentro de mim, falta pouco, alguém me diz, mas meus pés já estão cansados, meus olhos já estão cansados e tudo gira. Meu nariz está irritado, esse aroma é irritante, estou a ponto de regurgitar tudo.

Uma barragem se rompe dentro de mim, meus joelhos e as palmas das minhas mãos tocam o chão, meus pé finalmente descansarão? Tudo que estava represado sai, sai com força e pressão, ficam apenas os questionamentos de sempre, aqueles com os quais todos se preocupam mas ninguém acha realmente importante responder.

Me ponho de pé novamente, ainda cambaleante, sinto o novo vazio, aquele que eu irei me ocupar de preencher com todas as coisas que me entopem pra daqui à algumas semanas, ou meses quem sabe, passar pelo ritual do vômito novamente, espero que dessa vez eu já tenha terminado a playlist.


Antonio.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Canais maravilhosos para se inscrever no YouTube

Como alguém que bloga há uma ano e um pouquinho, mas lê blogs desde guri, eu já passei por aquele momento de ficar muito puto quando declararam que o vlog seria a morte do blog, NÃO É! Lidem com isso, o canal no youtube tem se tornado inclusive um espaço de expansão para blogueiros e vice versa.

Eu vou nesse post indicar alguns canais onde constantemente eu me permito ganhar uns minutinhos, tem muito conteúdo legal nas mais diversas esferas, desde muita utilidade pública até uns tutorial de make up.

Como alguém que pensa em breve fazer um puxadinho do blog do tonho lá no YouTube eu tô sempre ligado no que rola por lá e acompanho uma caralhada de canais.

Vamos lá!


*Você pode ir diretamente pros canais clicando nas imagens!

-TV Pe-dri-nha por Manie Bittencourt



É o canal da Manie Bittencourt, ela é blogueira, foi uma inspiração muito forte pra eu criar esse espaço aqui, e no canal dela ela já apresentou sua posição sobre diversos assuntos incluindo, greve de professores além de fazer umas resenhas maravilhosas de livros igualmente maravilhosos.
Quando debate algum tema polêmico ela sempre se preocupa em emitir de forma coesa e didática suas posições, ela também conta sobre a jornada dela como estudante e por isso que tanto o canal dela quanto o blog dela são uns dos meus lugares favoritos na internet! Recomendo com muito amor!
Tem o canal antigo também, te muito vídeo legal lá, e não tem como não indicar o blog dessa maravilhosa (Antiga Tv Pe-dri-nha/ Pe-dri-nha o blog)


-Afros e Afins por Nátaly Neri



Quando se trata de empoderamento, esse canal dá aula! A dona dele, a Nátaly é muito acessível e faz do canal um ambiente que embora muito politizado (resistir como negro em qualquer lugar do mundo é um ato político, principalmente aqui no Brasil) também muito leve. Aqueles toques leves de sarcasmo quando ela ironiza gente desocupada que vai lá no canal dela incomodar são um plus cômico nas argumentações super bem construídas da moça, pode me chamar de louco mas eu acho a voz dela idêntica a da Sandy, se está afim de se empoderar enquanto negrx e de quebra ver uns tutorias maravilhosos de maquiagem, cabelo, estética geral esse é o lugar!


-Cala a boca, Gaví por Gabriel Vinícius



Sabe uma pessoa que quando fica reflexiva quanto ao que acontece no mundo vai lá e grava um vídeo sem papas na língua nenhuma? Esse é o Gabriel, mas do que alguém que está produzindo um conteúdo cheio das "verdades absolutas" ele é alguém que está disposto a levantar questionamentos e trazer as pessoas pra uma discussão de forma saudável. Pra desconstruir os preconceitos que ainda restam, aprender um pouquinho sobre empatia e respeito as particularidades de cada indivíduo, vai lá ouvir o moço uns minutinhos.

-Bubarim por Bruno Miranda


Eu acho que é demais dizer que alguém nasceu pro youtube, mas tudo que esse rapaz documenta e lança nos canais dele me agrada muito e se ele não o fizesse faria falta. O canal principal é muito divertido, todas as esquetes montadas naquele esquema selfmade deixam as coisas ainda mais espontâneas, quando tô naquele dia de fúria onde eu tô problematizando tudo na internet eu vou lá no Bubarim dar umas risadas. Seja em qualquer um dois três canais dele você sempre vai encontrar um ambiente muito legal, vale muito a pena conferir!

Então essas são as minhas recomendações de canais pra acompanhar, esses são apenas alguns quem sabe eu não faço uma parte dois desse post, o youtube vem se tornando uma real revolução na produção de conteúdo pra web, tem pra todos os gostos, fazendo um bom garimpo você consegue tirar muita coisa proveitosa, se jogue!


Antonio.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O resgate

*Antes de começar a leitura desse conto, eu preciso contar que tem muita vivência real misturada a ficção. Eu adotei e adoto muitos animais de rua. Nesse relato ficcional você vai perceber que a adoção de animais de rua pode muitas vezes dar sentido e resgatar a vida de quem adota, faça uma boa leitura :)

Eu estava vivendo uma daquelas fases de turbulência, estava tudo dando errado e meus planos para sair daquele mar de merda soavam como piada até mesmo para mim.

Em um desses momentos, para ser mais exato, em uma dessas madrugadas onde eu estava vagando pela rua, ouvindo e usando um monte de besteira. Evitando de ir para casa pra não ter que encarar os problemas na cara e ouvi-los dizer o quanto eu estava decepcionando, eu o encontrei.

Numa primeira olhada, avistei apenas uma mochila preta velha e surrada jogada no acostamento, por curiosidade abaixei e olhei o que tinha dentro, para minha surpresa encontrei um par brilhante e assustado de olhos.

Ainda curioso dei uma sacudida na mochila, pra ver se aquele ser ali dentro perdia a timidez e colocava a cabeça pra fora, não funcionou.

Então eu percebi que independente do que fosse estava com mais medo de mim do que que eu dele, coloquei a mão na mochila e tirei de lá um pequeno, peludo e amedrontado corpo, era um gatinho.

Um filhote abandonado pra morrer esmagado pelas rodas dos carros que não paravam de passar. Ironicamente era como eu me sentia quando por impulso peguei-o com apenas uma mão e comecei a caminhar.

Só eu sei o quanto eu oscilei nessa decisão depois de alguns passos, não foram poucas as vezes que pensei no quão mais fácil seria deixá-lo onde o encontrei e seguir meu caminho, afinal eu nem sabia direito pra onde ir depois daquela discussão...

Olhei no relógio e pela hora mesmo que eu corresse de onde eu estava, eu só conseguiria chegar em casa pela manhã. Eu estava cheirando esquisito e com a pior cara possível, mas isso já era bem comum, o agravante estava no visitante (certamente indesejado) que eu tinha comigo.

Como eu previ, caminhei da três às cinco até chegar em casa, chegando na porta procurei pela chave reserva embaixo do capacho e ela não estava lá, o que era um sinal claro de que minha mãe continuava irritada, mas sem problemas, pus o gatinho na mochila e pulei o muro ao lado da casa e subi para o meu quarto, foi até melhor não entrar pela porta da frente, eu não estava preparado pra ser jogado pela janela com gato e tudo.

Chegando no quarto pus o bichano no chão e o observei, era tão mínimo... Em compensação fazia barulho pra caramba, ainda bem que todos em casa tinham sono pesado, matutei durante algum tempo sobre o porque daquele miado fino e persistente, concluí que talvez ele devesse estar sentindo algo.

Coloquei-o de barriga pra cima sob duros protestos do mesmo. Examinei-o da melhor forma que consegui e ele parecia perfeito, exceto por um pouco de chiclete grudado nas patas dianteiras, mas isso não era motivo para tanto escândalo.

Me toquei que quando minha irmã era menor acordava chorando no meio da noite com fome, minha mãe fazia uma mamadeira, ela mamava e tudo ficava em paz. Então procurei por alguma daquelas velhas mamadeiras no armário, encontrei uma, mornei um pouco de leite e levei para o quarto chegando lá ofereci para o felino que faminto sugou todo conteúdo da mamadeira.

Conferi mais uma vez o relógio e percebi que não fazia sentido deitar pra dormir, minha mãe costumava acordar cedo e logo estaria invadindo o meu quarto para dar o velho sermão matinal, que sempre era mais longo depois de uma briga. Se ela entrasse e encontrasse um gatinho no meio do chão do quarto, sabe deus por quanto tempo ela iria falar.

Olhei em volta procurando por algum lugar para escondê-lo e finalmente aquela pilha de roupa, que estava sendo cultivada desde três meses atrás quando minha mãe decidiu parar de fazer qualquer coisa pra mim ( exceto me acordar cedo porquê isso ela sabia que eu odiava) serviu para alguma coisa, o bichano estava de barriga cheia, um ninho fofo de roupas sujas era o lugar perfeito para uma soneca, dito e feito! Assim que o coloquei lá o danado espreguiçou-se e dormiu.

Como de costume, ouvi os passos da robusta mulher no corredor, pulei depressa na cama e me cobri até a cabeça e aguardei pelo momento em que ela iria adentrar furiosamente o quarto, mas isso não aconteceu.

Fiquei preocupado, aquela estava sendo de fato uma manhã anormal. Desci as escadas correndo e a encontrei sentada no sofá com uma xícara fumegante de café nas mãos, estava com aquele sorriso de quem roubou doce antes da festa começar sem ninguém perceber, antes que eu conseguisse abrir a boca, ela disse sem olhar pra mim - Não deveria dormir de sapatos, não é você que lava a roupa de cama! Respondi agilmente - Nem a senhora. Ela virou-se pra mim e sacudiu uma nota de vinte reais dizendo - Querido, eu quero que você vá na barbearia e corte o cabelo está bem?! Ótimo então.

Terminei de descer as escadas e peguei a nota meio desconfiado, mas nenhum duro convicto rejeita dinheiro sendo balançado na sua frente. Mas mantive a postura e perguntei o porquê daquilo, sem me olhar tomou um gole grande de café e disse - De hoje em diante você vai trabalhar com seu pai. Antes que eu pudesse protestar ela completou - Talvez dessa forma, ocupando seu tempo com algo útil, não te sobrem energias para fazer suas besteiras, eu não quero ouvir reclamações, inclusive você já pode ir. Fiz menção de dar continuidade a discussão mas ela me encarou daquele jeito que as mães fazem, foi quando eu percebi que ela estava me dando um ultimato, saí da sala batendo os pés.

Andando na rua percebi que já não cortava os cabelos fazia tanto tempo que não me lembrava onde ficava a barbearia, saquei um cigarro do bolso interno da jaqueta e pus na boca, percorri todo o meu corpo com as mãos procurando pelo isqueiro, nada de achar, lembrei que poderia ter ficado na mochila, a mesma mochila que horas antes havia abrigado um gatinho.

Naquele momento eu percebi que o coitado corria perigo, pois minha irmã costumava mexer em minhas coisas quando eu não estava pra procurar deus sabe o quê. Eu desconfiava que minha mãe mandava ela procurar algo semelhante a drogas nas minhas coisas, não foram poucas as vezes em que minhas cartelas de Tylenol sumiram...

Entrei correndo em casa e subi as escadas, peguei minha irmã no flagra, mão na maçaneta pronta para entrar onde adesivos na porta claramente proibiam a entrada dela. Ela era uma daquelas menininhas insuportáveis de nove anos que se acha super crescida e age como a personagem má do High School Musical. Como toda menininha mimada ela consegue tudo no grito, principalmente com meu pai que morre de amores por ela, dessa vez não foi diferente,  segurou o braço com a mão e gritou, em menos de 10 segundos meu pai apareceu com a camisa social meio abotoada perguntando o que estava acontecendo.

Com os olhos marejados e um tom choroso muito convincente ela disse que eu havia batido nela, meu pai se agachou e disse que ia ficar tudo bem que era pra ela esperar por ele no quarto dela, rapidamente o pranto desapareceu da cara dela, virou-se e saiu saltitando.

Foi a vez do meu pai se virar contra mim, girar a maçaneta e me empurrar pra dentro do quarto. Me mandou sentar e começou a falar

- Já te disse que não deve ficar importunando sua irmã, ela está passando por um fase hormonal difícil! Ele percebeu que eu estava segurando o riso e disse com firmeza - Olha, já passou da hora de você levar as coisas a sério, a escola acabou, você não foi pra faculdade e vai começar a trabalhar comigo no escritório e eu preciso de um homem pra me ajudar não um moleque!

Ele já ia saindo a passadas largas e firmes do quarto quando um miado fino dissipou a nuvem de tensão - O que foi isso? Perguntou meu pai com desconfiança -N- Nada, deve ter sido o meu celular. Gaguejei para responder o que o irritou fazendo-o vir pra cima de mim mas antes que ele conseguisse me alcançar, um bola de pelos despencou do alto da pilha de roupas sujas.

Por um minuto fiquei paralisado, até que o gato miou mais uma vez. Meu pai ficou tão furioso que os olhos saltaram, antes que eu pudesse explicar ele disse, -Seja lá o que for isso, dê um jeito rápido! E saiu batendo a porta.

Dediquei aquele dia inteiro ao meu novo amigo, faltei naquele que deveria ser meu primeiro dia trabalhando com meu pai, mas fiz coisas de fato muito importantes, como dar um nome para aquela bola de pelos, resolvi chamá-lo de Legolas, assim como o elfo de Senhor dos anéis.

Assim passaram-se, semanas, eu não fui trabalhar com meu pai, o Legolas me ocupava sem me irritar, apesar das constantes ameaças de despejo que ambos sofríamos diariamente, eu finalmente tinha um objetivo, protegê-lo.

Foi naquele final de semana que as coisas começaram a mudar, aconteceu uma feirinha de adoção no meu bairro e na faixa dizia que era a terceira feira anual de adoção, eu não fazia ideia de que aquilo aconteceu praticamente do lado da minha casa nos últimos dois anos, eu entrei observando tudo, alguns filhotes agitados num cercado, outros animais mais velhos descansavam, foi quando um rapaz de sobrancelhas grossas me abordou,
-Hey, você é da vizinhança não é?! Fiz que sim  com a cabeça. -Então, nós estamos precisando de ajuda com uns sacos de ração, você poderia...

[CONTINUA]

Antonio.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Serpenteia serpentina

Houveram vezes em que eu só consegui chorar.

Algumas vezes o corpo se recusou a obedecer a mente e vice versa.

Na primeira vez percebi que as luzes, os sons e os odores me incomodavam.

De vez em quando eu evito as pessoas que conheci lá.

Quase sempre as pessoas de lá me evitam.

Algumas marcas no pescoço, o suor que une roupa e pele.

Os pés que cansados caminham seguindo o fluxo, os punhos que em riste ferem.

O sorriso e o belo em evidência fazem a perfeita contradição.

Coração, carne e cerveja, eu sei o que ponho na mesa e desse banquete eu vou me servir.

A alegria é truculenta, se tu não aguenta não vá entrar.

Antonio.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

E se eu fizesse economia?

Eu tenho 18, quando se tem essa idade esperam que você decida que rumo dar a sua vida, seja por meio de uma vaga na universidade, com um emprego, ou qualquer coisa que te ponha em algum lugar fazendo algo, te torne "útil".

No começo de Janeiro saiu o resultado da chamada regular do SISU, eu fui selecionando no Bacharelado Interdisciplinar em Artes e adivinha, isso não foi comemorado por ninguém só por mim e alguns amigos, em esfera familiar não foi um fato tão grandioso pra ser comemorado.

Alguns "parabéns" sem muita convicção, na maioria das vezes as pessoas perguntaram "Tá, mas o que você vai fazer com isso?" Acredito que não é por maldade e sim por curiosidade.

Curioso também é fato de que se eu tivesse passado em Economia, Direito, Engenharia, Medicina a reação seria completamente diferente. Isso me fez refletir sobre como as pessoas não sabem qual o papel do artista na sociedade.

Você é condicionado por algum motivo a pensar que ter alguém das artes na família é algo muito absurdo e distante. Todo mundo acha muito utópico alguém que sai da periferia, de colégio público estudar artes. É como se dissessem Arte não é coisa pra pobre, cê tem que fazer algo pra emergir.

Eu sou muito feliz por ser bem resolvido com o que eu quero, mas machuca de leve você não ser abraçado por sua mãe ao contar que vai entrar na universidade, eu diria até, desestimulante. Talvez eu não devesse pensar muito sobre isso, porque claramente me faz ficar triste, mas eu vou ter que me acostumar com o fato de que ao longo de toda a graduação e até mesmo durante grande parte da minha vida profissional, as pessoas não vão me levar a sério e sugerir que eu faça algo pra ter "estabilidade financeira"

Se eu fizesse economia? Eu seria infeliz pra caralho, não que não seja possível ser feliz sendo um economista, é possível. Só não é uma possibilidade pra mim.

Antonio.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Eu acho que eu sou mais tímido do que penso



As coisas vão acontecendo e independente da maneira como elas te afetam você sempre ouve que deve demonstrar-se agradecido. Nesse meu percurso de vida muitas coisas boas e ruins aconteceram e acontecem comigo e então eu percebi que eu não sou bom com agradecimentos principalmente agradecimentos falados.

Eu sei que na maioria das vezes isso soa como falta de educação e tato, mas acontece que o ato de projetar a voz pra dizer um simples "obrigado" não é tão natural e fluido saído de mim. Isso não significa que não haja sentimento de gratidão em mim, existe! Eu só não sei expressar muito bem.

Incontáveis vezes eu me peguei sussurrando um obrigado após alguém ser gentil de segurar a porta pra mim por exemplo. Eu acho que por algum motivo, eu não sei qual, a gentileza me constrange nesses momentos e eu esqueço de reagir com normalidade.

Pior é quando eu tô cara a cara com alguém que acabou de me elogiar, meio que no automático eu ponho um sorriso petrificado na cara e tento pronunciar obrigado, mas sai tudo atrapalhado, é constrangedor. Na maioria das vezes eu prefiro dizer "você também!" ainda que a afirmação da pessoa tenha sido " bonito o lóbulo da sua orelha esquerda".

Se você chegou até esse parágrafo aqui talvez tenha se identificado com o relato, se for o caso, por favor me conta aí nos comentários, vou adorar saber que não estou sozinho nessa! No que excede, vai perdoando qualquer coisa e um grande obrigado! ( escrito fica melhor que dito rs)

Antonio.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Retrato de família

*Se preferir pode ler isso ao som de Family Portrait da P!nk

Você vê quem é querido e quem não é pelos porta-retratos na estante da sala.
Uma rejeição que eu não conquistei por mérito próprio respinga em mim,
 mas quando você precisa de ajuda orgulho será a última das ferramentas a te servir,
então eu adentro novamente a mesma sala de estar, de mal estar.

Sinto todos aqueles olhares me fuzilando, depois vem as perguntas e constatações de praxe,
"Nossa como você cresceu!" "Como vai a sua mãe?"
Nenhuma delas feita com a intenção real de ouvir uma resposta sincera,
esperam a mesma reação robótica de sempre, digo que estou bem.

Afinal compartilhar do mesmo sangue não preenche os critérios suficientes
para poder encontrar conforto no seio da família.

Eu sou aquela visita que arranja uma dormida no fim de semana,
eu sou a cadeira que sobra quando a mesa do jantar já está completa.

Eu sou aquele que ninguém sabe a data do aniversário de cabeça,
mas tudo isso não me fere, já me feriu um dia,
mas agora aprendi a lidar com o fato de eu ser a lacuna que não precisa ser preenchida,
eu sou elemento figurativo da cena e faço isso bem.


Antonio.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A agonia do SISU tá roubando minha sanidade

Arte mal feita no paint <3
Então aqui estou eu fazendo esse post apenas para não deixar o blog desatualizado por muito tempo. Não tenho tido cabeça pra bolar conteúdo legal pra postar aqui, tenho até uns esboços legais, mas chegou época de SISU e desestruturou o resto de cabeça que eu tinha...

Enfim, eu desejo boa sorte a todo mundo que tá concorrendo a uma vaga na universidade pelo SISU, e vai concorrer Prouni, FIES e todas essas alternativas aí, se quiser deixar o nome e o curso tá rolando uma campanha de oração aqui em casa (é sério!)

Amanhã saem as últimas notas de corte, e eu tô pedindo a deus e ao diabo, quem atender primeiro ganha minha devoção, eu não posso ir pra lista de espera, não desejo nem pro meu pior inimigo isso.


Antonio.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Encontre abrigo


Longe de Salvador, dia de chuva.
O que há?
O tempo virou e eu aqui sentado.

Corre pra dentro e arruma abrigo.
Liga pra mãe, pra avó, pra tia,
diz que está tentando ficar bem.
Não deixa transparecer na voz nenhuma insegurança.

Daqui pra frente o tempo pode virar outra vez, 
dessa vez não precisará fugir apressado da chuva.
Basta caminhar.

Ainda que não pareça liberdade,
transforme-a em fuga da realidade, 
Só não vicia.

Fugaz é a vida e as coisas dela.
De que vale se proteger tanto do mundo se o que há de melhor,
está lá fora?

Tomou o risco pra si, abraçou-o como parte da jornada.
Fez do pranto conforto e 
se uma dia voltar, voltará mais forte,
melhor preparado.

Prossiga sua inquietude, 
que sempiternas sejam as coisas boas,
também os bons aprendizados colhidos das experiências ruins.


Antonio.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Refletindo sobre a chegada do ano novo!


Finalmente estamos em 2016, como o mundo inteiro nesse momento de virada de ano eu estou/estive reflexivo. Vamos lá! 2015 foi um ano onde eu percebi que os momentos ruins foram, glamourizados, satirizados, viraram bordões repetidos em looping eterno, se tornaram aquele print engraçadão do Twitter que foi compartilhado milhões de vezes, com a intenção de fazer rir.

Eu mesmo admito, fui um dos maiores disseminadores desse conteúdo, e no fundo toda vez que eu clicava pra compartilhar aqueles tuítes engraçadíssimos, sempre rindo das famosas bad que batiam e espancavam, dos papéis de trouxa feitos, eu tinha a intenção real de reclamar sem ser taxado de " O chato que reclama da vida na internet".

Existe um senso de que 2015 não foi um ano fácil pra ninguém, eu falo por mim, foi difícil, eu reclamei, reclamei aqui, no Facebook, no Twitter, no colo dos amigos. Se tem uma coisa que fiz em 2015, essa coisa foi reclamar.

Terminei o ano insatisfeito? SIM, FUCKIN' SIM!!! Porém mais insatisfeito comigo mesmo pela falta de pulso de dar seguimento ao que planejei do que com o ano em si. Afinal de contas 2015 foram apenas quatro numerosinhos que representaram uma passagem de tempo, foi só mais um contador de tempo, ou seja, a culpa não foi do ano e sim da funcionalidade que você deu a ele.

Tempo é espaço, se você deixa um espaço em desuso ele fica vazio. Se você acumula muita coisa, fica bagunçado, confuso. A verdade é que tá todo mundo buscando a melhor formar de utilizar seu tempo/organizar melhor seu espaço, e que todo mundo erra e que a maioria das pessoas erra na ansiedade de acertar.

Portanto, não fique aí lamentando, chorando o ano que você não teve, invés de continuar na bad que você cantou em 2015 inteiro, vamos fazer um exercício de abertura de horizontes para 2016.

1º Deixe toda a bagagem ruim no ano passado, entre em 2016 apenas com o aprendizado extraído das experiências ruins.

2º Procure a agenda cultural da sua cidade ( no caso de você morar aqui na Bahia, pode clicar aqui :3) veja a programação, procure por algo que esteja dentro das suas possibilidades financeiras, alguma coisa  que tem a ver contigo e divirta-se.

3º Se você for dos mais caseirxs, é legal ficar em casa fazendo listas, mas se você só estiver a fim de  relaxar sem quebrar a cabeça, põe um filmezinho ( aqui algumas indicações minhas!) se não tiver nada legal na TV a Netflix tá aí pra isso, mas como nem todo mundo tem uma conta, o Crackle tá aí pra isso, uma opção gratuita, é só fazer o cadastro e ser feliz!

4º No mais fica com a cabeça fresca, não fica muito preocupadx e expectosx, tenta digerir o primeiro dia e se prepara pra receber bem o seguinte, tendo sempre em mente que tudo vai ficar bem! (isso é Carpe Diem eu acho rs).

Então, eu espero que 2016 seja legal conosco, compassivo com nossos momentos ruins e que aconteça sem a cobrança de ser o ano mais incrível da vida de todo mundo. Just let it be.



Antonio.